Tutoriais de Prompts
Como escrever prompts para IA de imagem: o guia completo
Aprenda a estruturar prompts para Midjourney, DALL·E e Flux: sujeito, estilo, luz, lente e proporção. Exemplos prontos em português.
Quem começa a gerar imagens com IA costuma cometer o mesmo erro: escrever uma frase curta, receber uma imagem genérica e concluir que 'a IA não entende o que eu quero'. Na prática, o modelo entende muito bem — só não tem informação suficiente para não improvisar.
Um prompt é uma especificação. Quanto mais precisa a especificação, menor o espaço para o modelo decidir por conta própria. Este guia mostra a estrutura que uso em todas as imagens que publico aqui no site.
A estrutura de cinco camadas
Todo prompt que funciona bem responde a cinco perguntas. Elas podem estar na mesma frase, separadas por vírgulas, mas cada camada precisa estar presente.
- Sujeito: quem ou o que aparece na imagem, com detalhes concretos.
- Ação ou contexto: o que está acontecendo e onde.
- Estilo: fotografia, ilustração, render 3D, aquarela, anime.
- Luz e cor: a camada que mais muda o resultado e a que quase todo mundo esquece.
- Enquadramento técnico: lente, ângulo, profundidade de campo, proporção.
Exemplo ruim e exemplo bom
Ruim: 'uma mulher bonita com arte digital'.
Bom: 'close-up portrait of a young ceramic artist with clay-stained hands, sitting in a sunlit studio, natural window light from the left, 85mm lens, shallow depth of field, muted earth tones, editorial photography --ar 4:5'.
A diferença não está no talento de quem escreve. Está na quantidade de decisões que o modelo precisa tomar sozinho. No exemplo bom, sobra pouco espaço para improviso — e o resultado fica muito mais próximo da intenção.
Português ou inglês?
Os principais modelos foram treinados predominantemente em inglês. Escrever em português funciona nos modelos mais recentes, mas você perde nuance: palavras como 'aconchegante' ou 'nostálgico' têm traduções mais precisas em vocabulário visual.
A recomendação prática é: pense em português, escreva em inglês. Se o seu inglês for limitado, use o nosso gerador de prompts — ele monta a estrutura em inglês a partir do sujeito que você descreve em português.
As palavras que mais mudam o resultado
Iluminação
- soft studio lighting — luz controlada, pele uniforme, ideal para retrato.
- golden hour backlight — calor e contorno no cabelo, sensação de fim de tarde.
- neon practical lights — alto contraste, estética urbana e noturna.
- chiaroscuro — sombras profundas, resultado dramático e pictórico.
Composição
- close-up — detalhe, emoção, textura.
- wide shot — contexto, ambiente, narrativa.
- low angle — hierarquia e imponência.
- negative space — espaço vazio para inserir texto depois.
Negative prompt: o que evitar
Em modelos que aceitam negative prompt (Stable Diffusion, Flux e alguns outros), vale listar o que você não quer: texto ilegível, mãos deformadas, marca d'água, excesso de saturação. No Midjourney use --no em vez de descrever a negação dentro do prompt.
Iteração é parte do processo
Nenhum profissional acerta na primeira geração. O fluxo real é: gerar quatro variações, escolher a melhor, ajustar uma camada por vez (luz, depois lente, depois paleta) e gerar de novo. Mudar tudo ao mesmo tempo impede saber o que funcionou.
Se você quer um processo replicável, mantenha um arquivo com os prompts que deram certo e o que mudou entre a versão 1 e a versão final. Em duas semanas esse arquivo vale mais que qualquer curso.
Erros mais comuns
- Adjetivos vagos: 'bonito', 'incrível', 'profissional' não informam nada ao modelo.
- Prompts longos demais com instruções contraditórias (ex.: 'minimalista e altamente detalhado').
- Esquecer a proporção: a mesma cena em 1:1 e 9:16 pede composições diferentes.
- Copiar prompt de outra pessoa sem entender o que cada trecho faz.
Conclusão
Prompt não é palavra mágica: é especificação. Se você conseguir descrever sujeito, contexto, estilo, luz e enquadramento, qualquer modelo razoável entrega algo próximo do que você imaginou. O resto é repetição com critério.